Calendário

Estou escrevendo, escrevendo, escrevendo…
Liberando minha alma do que a aprisona,
mas você continua entre minhas artérias,
como uma bactéria que se aloja
e suga o que tem dentro,
me consumindo aos poucos…
Até que não reste mais nenhuma parte
do que um dia eu fui.

Eu me cobro algum verso poético
que possa derramar meu rancor nestas páginas,
de forma que as sílabas digam o que eu não consigo falar,
de maneira que todas as palavras possam mostrar
a tamanha dor de viver,
uma mágoa,
dia após dia,
enquanto os meses e anos se passam para ele,
e eu continuo naquela mesma data,
sofrendo pelo o mesmo motivo
como se fosse a 1ª vez.

Ele disse “me desculpa”,
mas todo o meu bom senso que ainda resta disse “não!”.
Então,
eu falei que o tempo pode curar.
mas como, se para mim ele nem passou?
Pois sim,
eu revivo, revivo, revivo e revivo aqueles dias,
e após isso, a mágoa surge de novo, ainda mais forte,
e eu o odeio cada vez mais.
Sim,
eu marquei no calendário
o aniversário
do meu rancor.

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Pessoas precisam de pessoas

Minha primeira amiga foi minha avó.

É estranho falar isso? Bom, para mim não. Eu sempre a venerei, tinha uma verdadeira adoração por ela, especialmente pelo o fato da presença dela ser constante em minha vida.

Eis o porquê dessa conexão.

Meus pais trabalhavam e meu irmão e eu temos praticamente 4 anos de diferença, então, brincar com ele era impossível, afinal, nós não possuíamos a mesma visão de “divertimento“. Com isso, eu passava a maior parte do tempo com a minha avó, seja jogando uno, brincando de fazer comidinha ou comendo biscoito de bolinha com refrigerante. Essas eram minhas tardes – quando eu não estava na escola, claro.

Era divertido. Sim, para uma criança de 5 anos qualquer coisa pode ser entretenimento – pelo menos para as dos anos 90.

No entanto, crescer no meio de adultos e sem quase nenhuma pessoa da minha idade me fez sentir que eu tinha de ser a madura, a responsável, a independente. Por isso, penso que “vivi” rápido demais, eu não aproveitei tanto como uma garotinha deveria, eu queria mesmo é ser “grande”.

E os amigos?

É complicado dizer isso, mas só fui ter amigos de verdade a partir da 8ª série. Isso porque, honestamente, na minha vida inteira, só houve 4 tipos de “amizades”: as que eu era tratada como cachorrinha, as que eu só precisava “tomar conta” de filhos de amigos dos meus parentes e servir como babá, as que eu só mantinha porque tinha medo de ficar sozinha e vice-versa e, por último, as que só estavam na minha vida para agradar meus pais, pois eles achavam que aquelas pessoas eram “boas para mim”.

Pensei que o bullying fosse percursor do meu histórico ruim de relacionamentos de amizade, mas, na verdade, isso veio com a necessidade que eu tinha de querer me encaixar em um grupo. Nunca me achei digna das pessoas, de estar na vida de alguém, então pensava que tinha de fazer de tudo para manter todos ao meu lado.

E óbvio… as pessoas se aproveitavam que eu me entregava de corpo e alma e me exploravam, manipulavam e magoavam.

Muito.

Foi esse os ciclos de amizades. Eu dava tudo de mim, esperava o “tudo” de volta, mas nunca nem recebia metade do que doava.

Em algum momento eu desisti de ir para festas com os meus pais, de participar de eventos no quintal da minha casa ou de comparecer em aniversários de parentes. Era chato demais não ter ninguém para falar, alguém que me entendesse, compartilhasse da mesma coisa que eu estava passando. Eu só queria isso, sabe? Me senti menos sozinha.

O Bullying, é claro, intensificou essa minha sensação de solidão, mas no ápice da minha frustração e dor por estar sempre sozinha e me sentir vazia no final do dia, eu simplesmente parei de tentar. Não queria mais deixar gente entrar no meu mundo para depois bagunçá-lo. Sobrava para mim ter que limpar a bagunça depois, varrer os cacos e me reconstruir.

O que eu tirei de toda essa experiência é que pessoas precisam de pessoas. Por mais que seja muito difícil lidar com o ser humano, ninguém tem que estar sozinho. Não ter com quem falar é triste, dói e por mais que você possa parecer forte, tem que assumir que ninguém vive sem ninguém. Isso não é sobre namoro, sexo, casamento, mas sim a respeito de conexões.

Percebi que eu me sinto sozinha não só pelo o fato de não ter achado minha “alma gêmea fraternal”, mas também porque não me achei. A vida inteira eu não tive com quem dizer as coisas, mas me dei conta que tenho que falar.

Eu tenho que falar com alguém e eu vou achar quem queira me ouvir.

 

Volte dez casas

Não sei o que é mais assustador, se é uma parte da nova geração apoiando a velha geração em seus erros ou a velha geração querendo a repetição dessas mesmas falhas, ainda que já tenham noção de suas consequências.

Alguns já sabem o final, mas querem que ele se repita. Outros, lutam para que um novo começo possa ser feito. Você não pode mudar o que já passou, mas tem a opção de reescrever um início diferente.

Essa é a questão…

tem gente que quer um vale a pena ver de novo.

Bom, dizem que errar é humano, mas eu acho que permanecer no erro é cada vez mais humano ainda.

Às vezes, tenho a impressão que não verei mais o horizonte, de tantos passos para trás que estão sendo dados.

Sinceramente?

Eu também estou no jogo e eu não pretendo voltar mais casas.

 

Fragmentos de alguém despedaçado

Todos os dias.
Toda hora.
Cada instante.
Isso me acompanha nos passos que dou,
Nos pensamentos que tenho,
E na forma que me vejo no espelho.
Eu fui quebrada.
Eu sou quebrada mais um pouco,
todos os dias,
toda hora,
cada instante.
Isso me parte mais e mais, mesmo que eu não queira,
pois não tem cura e eu não tenho como esquecer.
Não vou deixar para lá a forma como pisaram em mim,
Ou mudaram o jeito que me enxergo, me olho, me amo,
ou melhor, não me amo.

Queria ser o tipo de pessoa que perdoa,
No entanto, tudo o que restou em mim é uma vontade de fazer pagar
Quem me fez pensar
que eu não sou boa o suficiente.
Mas não, eu não farei nada.
Sou a vingança de fala, não a de ação.

É complicado, é uma cicatriz, é um trauma que sempre levarei comigo.
Não me diga que é fácil, não me fale para superar.
Quem foi humilhado e sentiu isso na pele,
carrega para sempre a sensação de um machucado que nunca vai sarar.
Uma ferida aberta, que de vez em quando abre,
Uma palavra de nada, que às vezes fere mais que devia,
Uma decepção como qualquer outra da vida, que destrói à toa.

Eu aprendi que o ódio é uma arma
e as palavras são munições.
Não sei quantas vezes atiraram em mim,
a única certeza que tenho é que ainda carrego a dor da bala em meu peito,
latejando, como se tivesse sido recém atirada
por alguém que só estava afim de rir um pouco
às custas da dor de outra pessoa.

Agora eu estou em busca da chave,
A Chave mestra.
A libertação daquela menina, que ainda vive presa no mesmo mundo
De horror e maldade.
Que grita calada e sofre em silêncio.
Que precisa urgentemente ser consertada.

Estou a caminho, garota.

Eu não vejo uma luz no horizonte

Tenho medo.
Tenho medo do que minha pátria está se tornando.
Tenho medo do ódio que se espalha, infiltra-se na mente de outros seres humanos,
com mentalidades supremacistas, extremistas, prontas para destruir,
formadas com o objetivo de odiar o que é diferente,
E o que existe para mudar padrões que sempre foram os mesmos,
que só favoreceram quem estava no topo das pirâmides.

Tochas, guerras, censuras, tridentes.
A Idade média parece estar de volta.
A inquisição se repete, o fogo queima as bruxas!
Seus fanáticos conduzem ataques com palavras de terror.
Sim, eles também estão com medo.
Medo de tudo mudar.
Medo de tudo se modificar.
Medo de alguém tirar seus privilégios (os que confudem como naturais)
Seus status.
Suas riquezas mal distruibuídas.
Suas propinas.
Eles têm tanto medo,
que são capazes de matar para garantir suas boas vidas.
Não ligam para sangue derramado,
desde que não sejam os seus.

Sabe onde estão,
os que deveriam nos representar?
Falando por si.
Eles não dão a mínima para quem os colocaram ali.
O que fazem, então?
Enchem o bolso de dinheiro, compram jatinho para atravessar o mundo
enquanto pobre morre na fila do sus.
Criança da periferia que é atingida por balada perdida, pois não está segura nem dentro de casa.
Mulher sendo morta pelo marido, namorado, companheiro, irmão, amigo.
Por quê?
Ah… ela disse não.
Escola precarária, sem professor.
Não têm pagamento, não tem aula e não forma cidadão.
O exame do ensino médio é pra quem, se só rico recebe boa educação?
É tanta roubalheira, morte, violência.
Nem ligo mais a televisão.
Não vejo mais jornal.
Eu tenho medo de sair e ser a próxima a virar manchete.
A gente sabe que vai mas não sabe se volta.
Vive o perigo enquanto eles nem passam perto da Zona Norte.
Filhinho estuda em instuição particular e passa em faculdade pública,
viaja para Itália no fim do ano.
Estudante de escola pública não tem nem o passe único.

O que vai acontecer?
Quem vai estourar essas bolhas que nos cercam, bloqueiam a visão nítida do que realmente ocorre?
Até quando precisaremos escolher um lado, em vez de nos unir como um só interesse?
Os únicos que saiem perdendo somos nós,
eles só ganham.
A luta acontece aqui fora, não lá dentro.
Estamos em um jogo de tabuleiro
E adivinha?
Só voltamos casinhas até agora, pois eles estão com todas as cartas.
Quem vai tirá-los do trono?
Até quando vamos só ficar parados e ver?
Eu tenho medo do futuro
E você?

Não estou aqui para atender suas expectativas

No início desse ano contei para minha tia sobre o meu resultado no vestibular. Não devia ter feito isso. Ela me encheu o saco sobre o quanto eu deveria escolher logo um curso, começar de qualquer maneira minhas aulas…emfim, falou demais no meu ouvido. Só que têm algo que as pessoas não sabem sobre mim: filtro o que ouço e só deixo o que posso aproveitar. No entanto, nem sempre dá para descartar e fingir que não ouvi.

Às vezes, as pessoas pensam que sabem mais sobre a minha vida do que eu mesma. Essa é a maior problemática de sair espalhando para alguns – ainda que poucas pessoas – sobre suas futuras decisões, já que isso acaba criando uma expectativa. No entanto, nem sempre vou querer levar para frente, entende? Sim, eu já quis ser veterinária, estilista, pediatra, psiquiatra, antropóloga e até fotógrafa, mas idai? Eu vou ter muitas vontades na vida, mas não necessariamente tenho a obrigação de torná-las realidade. Em algumas situações, planos são só planos e às vezes, a gente só quer sonhar.

Confesso que sou do tipo que não gosto de escutar conselhos, tenho que ser sincera. Odeio que tentem me dizer o que fazer, pois na minha cabeça, as minhas escolhas são da minha conta e de mais ninguém. Só que nem sempre funciona assim, especialmente com a família. Eles querem perguntar, provavelmente para dar pitaco – e claro, por uma preocupação também. Lá no fundo, sei que existe – e acabam por achar que sabem o que é melhor para todos nós. Acho que é essa a grande dificuldade entre transitar da idade adolescente e jovem adulta, há uma grande cobrança sobre ser bem sucedido e ao mesmo tempo, em seguir o caminho certo. Mas sabe de uma coisa? Ninguém tem que, de uma hora para outra, ter certeza do que quer para a vida inteira e não é a família que vai definir isso.

O problema é que estamos sob expectativas de todo mundo. Da sociedade, da mídia, dos nossos amigos, dos companheiros ou companheiras e de quem nos cerca. Todavia, nem sempre é o nosso dever ter que suprir isso. Aliás, quase nunca. O objetivo da nossa vida é fazer o melhor para nós mesmos, ou seja, nos deixar felizes e nos sentir realizados. Não há sentido em viver a sua vida para outras pessoas. Viva para você, mesmo que isso signifique abrir mão de algumas coisas.

As suas expectativas sobre mim não são problema meu. Não vou fazer o curso na faculdade que você pensa que é melhor, não vou cortar meu cabelo pois pensa que ficará mais bonito e não irei namorar alguém só para te fazer sentir satisfeito (a). Tente viver por si mesmo, eu garanto que vai ser bem mais saudável do que fazer as pessoas viverem para lhe fazer sentir realizado (a) consigo mesmo (a).

Ser feliz o tempo todo?

Sorria. Sorria. Sorria.
Mostre a todos o quanto está feliz.
E se não estiver, finja! Ninguém quer ver tristeza, certo?
Sorria.
A tristeza é perigosa, é ruim, é pessima.
Só que aí vai um segredo, meu caro ou cara leitor (a),
todo sentimento é feito para ser sentido, inclusive os negativos
pois eles estão aqui para nos fazer dar mais valor aos positivos.

Reprimir não é a melhor forma de superar. É só sentindo que você vai conseguir deixar para lá.

Ter inveja, raiva, sentir ódio momentâneo, tudo isso passa.

Faz parte sentir,

então não tenha medo.

20 vezes amor

I Love you.
Vejo seu futuro brilhante,
Seus olhos que enxergam o mundo de maneira linda
Mesmo que ele te faça não se enxergar bonita.
Eu posso te falar que te amo amo em português e inglês,
Mas por quê não em 20 línguas de uma vez?

yo te amo
Ich liebe dich
Kocham cię
Jag älskar dig
Я люблю тебе
eni seviyorum
私はあなたを愛している
Jeg elsker dig
Ti amo
Je t’aime
나는 너를 사랑해.
Я люблю цябе
אני אוהב אותך
أنا أحبك
Ég elska þig
Jeg elsker deg
Volim te
Σ ‘αγαπώ
Mahal kita
Ik hou van je

Mesmo que eu não possa, eu queria
poder te
proteger do mundo
da dor
dos traumas
do ódio
de tudo o que te faz menos
linda
e sorridente
como fica melhor em você.

A irmã
que eu nunca tive
A parceira
da madrugada
A garota que esteve no meu pior
no meu melhor
e na escuridão
você foi a única luz
mesmo quando eu me recusei a acender a lâmpada
foi você minha guia.

Se eu pudesse colocar o seu sorriso nas estrelas
eu diria a elas para brilhar sempre,
mesmo de dia.
Se 20 línguas não forem suficientes
Eu lhe dou 51 linhas
52
para mais 30 e 2 anos
de amor
e enquanto o infinito puder suportar
eu estarei aqui para lhe levantar
quando você não tiver forças para sair do chão.

 

 

No gatilho

O que eu faria,
Se tivesse a arma na mão?
Eu dispararia, com toda a dor do meu sofrimento
Da minha solidão,
Da raiva e rancor que eu guardei
Nas camadas mais profundas de mim?

O que eu faria,
O que eu diria para aquela garota de 10 anos
Perdida, intoxicada, envergonhada
da própria existência?
Eu sabia que ela queria gritar,
Mas ela preferiu fazer isso em silêncio.
Ela estava sofrendo, mas não sarou sua ferida causando dor.

Eles não disseram que sentiam muito,
pois não sentiam.
A maldade em seus ossos, o ódio em seu sangue, a crueldade correndo pelas veias.
Eu não vou perdoar o que não tem perdão.
Desejo que o karma faça seu trabalho, pois não pretendo sujar minhas mãos.
Mas o que eu faria?
Apertaria o gatilho e os explodiria,
junto com a minha angústia?

Judas

Quem é você?
Que anda pelas florestas às escondidas,
Que cospe suas mentiras com a mesma facilidade que eu respiro.
Que gastou o tempo, que não tem volta, com alguém de uma noite só,
E que “esqueceu” de quem vai estar aqui pela a eternidade,
Ligado às suas veias,
A quem“,
você disse que não era capaz.

Você tinha a arma
Você tinha as balas
Mas eu é quem sempre tive a coragem
E eu não podia suportar o espelho refletindo sua imagem,
convivendo com a mágoa e a culpa de nunca ter visto,
o que eu preferi não enxergar.
Talvez para me poupar,
Só que isso apenas fez eu me afogar em um oceano de rancor,
nas águas vermelhas do sangue de minhas feridas abertas.

Quem é você?
Eu pergunto.
Quem é ele, que não conheço?
Onde você estava, quando minhas lágrimas molhavam a minha cara inchada?
Ah,
Talvez estivesse ocupado,
sendo o motivo delas.

Agora estamos próximos, mas um abismo de coisas não ditas nos separam.
E acho que você é muito si mesmo para conseguir “ser” outro alguém.
As pessoas dizem que o mundo é cruel,
Porém, o que acontece quando quem deveria lhe proteger da dor,
Torna o mundo ainda mais desumano?

O que restou do amor,
Se não a mágoa em pequenos fragmentos,
que os seus segredos terminaram de partir?
Quem é você?
Judas, ele me respondeu.
Eu beijei tua testa e depois te apunhalei.
Eu sou Judas.